É mais fácil começar do princípio.
Os nativos do Novo Mundo comunicavam com sinais de fumo.
Filípedes, em 490 a.C., correu 42 quilómetros para dar a
notícia na Grécia que os gregos tinham vencido os persas na Batalha da Planície
de Maratona. Depois, parece que caiu de cansaço e morreu. Foi a primeira
maratona da História.
As comunicações entre as Ilhas Britânicas e o Continente fizeram-se
muitas vezes usando pombos-correio.
Pedro Álvares Cabral, a caminho da Índia, descobriu o
Brasil. A frota dele tinha muitos navios, já com esta finalidade. Um dos navios
mais pequenos veio de volta a Lisboa, dar a notícia ao Rei D. Manuel.
O sistema de comunicações estabelecido entre os fortes
(castelos) da Linha de Torres, durante as Invasões Francesas são uma obra
fantástica.
Com a descoberta de telegrafia por Marconi (ou Tesla ou
Hertz ou Bose) e de Morse ter inventado o seu Código, estabeleceu-se uma nova
era nas comunicações. Vemos isso muito bem explicado nos filmes do Far-West, em
que comunicam por Morse pi-pi-piiiiiiii-pipi etc.
Com a telegrafia e o código de Morse, passou a ser possível
os navios em alto mar comunicarem com terra. As ondas hertzianas “voavam”.
Quando os meus tios emigraram para o Brasil, era possível
comunicar com eles (o paquete demorava uns 10 a 15 dias de Lisboa ao Brasil)
por cabograma, uma palavra que nem os vossos pais devem conhecer. Era um
telegrama enviado do navio ou para o navio. Vejam lá tão velho que eu sou. Vivi
coisas que são quase Pré-história.
Ora a comunicação com os aviões era semelhante ao sistema
dos barcos. Ondas hertzianas. Para uso dos pilotos e tripulantes, não de
passageiros.
Depois, em alguns aviões, de algumas companhias, instalaram
uma espécie de cabines telefónicas. Pagando um preço muito elevado, as pessoas
podiam telefonar para terra.
Agora vou falar dos telemóveis nos aviões e depois continuo
esta conversa.
Quando foram inventados os telemóveis, o seu uso era
proibido dentro dos aviões. A explicação que deram às pessoas foi uma mentira. Em
parte. Toda a gente a falar ao telefone dentro do avião era uma barulheira. Isto
é verdade. As ondas de rádio dos telemóveis podiam interferir com os sistemas
electrónicos do avião e este cair. Isto não é verdade. Embora se começarem a
falar ao telemóvel, isso possa ser escutado pelos pilotos e interferir com o
trabalho deles. Mas há outras razões. As antenas em terra que os telemóveis
utilizam estão dirigidas na horizontal e os aviões andam lá em cima. Logo é
difícil ligarem-se. Outro problema: os telemóveis têm que se ligar a uma antena
e isso demora um certo tempo. Os aviões voam a grande velocidade e quando os
telemóveis se estão a ligar a uma antena em terra, ela já não está lá.
Havendo estas regras, pode haver quem tente, mesmo assim,
usar telemóvel. Mas o esforço do telemóvel para se ligar a uma antena é tão
grande que gasta logo a bateria toda e, como é tão grande, é sinalizado para a
cabine de pilotos. E dão a localização dos prevaricadores aos pilotos, que
mandam logo a tripulação ir procurar a pessoa e apreender o telemóvel. À chegada
ao aeroporto, eles serão presos e terão que pagar multas ou ir a julgamento.
Então que aconteceu no voo 93?
O avião ia aterrar (chocar) contra a Casa Branca, ia mais
devagar e a baixa altitude. O sinal dos telemóveis era capturado pelas antenas
terrestres e tinham tempo para se ligar a uma qualquer antena.
Durante o voo 93 foram efectuadas, com sucesso 37 chamadas
telefónicas por passageiros. Duas dessas chamadas, porque o avião ia mais
devagar e a baixa altitude foram feitas de telemóveis particulares. As outras
foram através das tais cabines telefónicas que referi: os Airfones, instalados
nos assentos dos passageiros. Dado o custo muito elevado destas chamadas, as
pessoas usavam pouco este sistema, deixaram de existir Airfones.
As comunicações dos passageiros do voo 93, hoje seriam
impossíveis, ou só por algum acaso.
Algumas linhas aéreas de longo curso, na Ásia, estão munidas
de Airfones.