quinta-feira, 25 de abril de 2019

Perspectiva sobre Abril


A revolução do 25 de Abril prejudicou muitas pessoas, que nunca esquecerão o ressentimento e beneficiou muitas outras que sempre a idolatrarão.
Como podem os repatriados, retornados e refugiados das colónias ou províncias ultramarinas esquecer os vexames que passaram, os companheiros assassinados e os bens de uma vida que tiveram de abandonar?
Como podem aqueles que por protestarem por não ter salário justo ou comida para pôr na mesa foram encarcerados em Caxias, Peniche, sem julgamento e depois de torturados?
A lista é longa e sem fim ou conclusão, para qualquer das perspectivas.

Apetece-me pensar em Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão, Mota Amaral, Joaquim Magalhães Mota, Miller Guerra, Pinto Leite, deputados eleitos nas listas da Acção Nacional Popular, partido do Estado Novo, sob a batuta do Presidente do Conselho Marcelo Caetano. Dentro do regime, anticomunista e antidemocrático, nas palavras de Oliveira Salazar, eles levantaram a voz contra o regime e esses discursos foram publicados na Seara Nova que se vendia em qualquer banca de jornais.

Hoje não há quem tenha frutos da horta para levantar a voz na Assembleia da República contra o partido que o elegeu e lhe providencia sustento. Talvez precisamente porque não estão a prestar serviço público mas a trabalhar para o partido ou para fazerem nome e ganharem reforma.

Apetece-me pensar no significado que têm nesta reflexão Cristiano Ronaldo e Eusébio da Silva Ferreira. Além de ser grande em todo o mundo, Ronaldo faz Portugal grande em todo o mundo, em primeiro lugar porque repete os maiores feitos da nossa História ao levar o nome de Portugal a todos os lugares habitados da Terra, tal como os heróis navegadores, descobridores e evangelizadores. Isto é fruto da liberdade que nasceu com a Revolução do 25 de Abril. Eusébio foi proibido por Salazar, como atesta a História de emigrar e levar mais longe o nome de Portugal.
Antes exportámos mão-de-obra de muito boa qualidade, mas essencialmente barata e não qualificada. E o regime abatia a tiro aqueles que atravessavam a fronteira a salto por não conseguirem autorização para emigrar. Fosse Eusébio, fosse um analfabeto bruto do interior beirão.
Hoje até há tolos governantes a incitar à emigração a nata da portugalidade, os jovens altamente qualificados e muito bem recompensados e remunerados no estrangeiro. Como se explica que exportemos médicos para os países mais desenvolvidos do mundo e importemos médicos de países do terceiro mundo ou de universidades que nem figuram nos rankings?

Olhemos para os nossos jovens. Quem concordaria hoje em enviá-los para teatros de guerra, com alta probabilidade de morrerem, depois de se atirarem para a frente de combate em consequência de serem drogados? Quem concordaria hoje em enviar os filhos para a selva violar mulheres e castrar homens? Os tempos são outros, mas antes, como hoje, falamos de pessoas, de filhos de Deus.

São apenas reflexões, porque as explicações e justificações estão na posse das multinacionais e transnacionais que escravizaram os portugueses negros em Angola e Moçambique, principalmente, sugaram o ouro, os diamantes e todas as riquezas que eram portuguesas pela legalidade internacional e fruto do trabalho dos nossos irmãos que nessas terras nasceram, como tinham nascido os seus pais, avós… O governo de Lisboa foi impotente, estava castrado, para defender a sua riqueza, em favor da Pátria e dos povos de quem se queria fazer defensor.

Os portugueses ficaram por maiores esclavagistas do mundo, mas a central exploradora e cofre dos lucros da escravatura estava em Londres, nessa Londres que apupou Marcelo Caetano, como se o governante português fosse mais colonialista que a Rainha Vitória e todos os reis e rainhas e governos britânicos.

Há uma reflexão grande a fazer sobre o 25 de Abril, num contexto que tem de recuar, pelo menos, até à queda da monarquia.
Terminamos com uma comparação. A Primeira República envolveu o país em guerras, desterrou trabalhadores e sindicalistas para as colónias e levou o país à bancarrota. Portugal não foi ocupado, tomado e dividido por espanhóis, ingleses e outros, porque Salazar esteve, bem ou mal, melhor, bem e mal, ao leme. Mas quando o país foi salvo de Salazar veio de Sócrates e teve de vir Passos Coelho, figura que abomino, mas que teve uma acção de regeneração contabilística idêntica a Salazar.

Conseguimos irritar quase todos, com este texto, porque a verdade dói.

Orlando de Carvalho

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Karl Lagerfeld - Obituário


A morte de Karl Lagerfeld ocorreu em 19 de Fevereiro de 2019 e foi título em toda a comunicação social. O excêntrico idoso foi referido como alguém que deu um contributo importante para a sociedade.
Como é possível que um louco que não acrescentou nada à humanidade possa ser alvo de tão magnânimo tratamento?
Os seus objectivos de vida estão bem expressos nas suas últimas vontades: ser cremado e as cinzas juntas aos restos mortais da mãe e da gata, se esta morresse antes dele, caso contrário, como aconteceu, a bichana foi herdeira de uma boa parte da sua imensa fortuna. Como é possível que pessoas supostamente racionais idolatrem um louco destes?
O ar de superioridade veio-lhe provavelmente da fortuna de família acumulada durante a I Guerra Mundial pela colaboração com os boches. A Alemanha perdeu a guerra, mas muitos dos seus aliados enriqueceram.
Consultando a biografia do defunto, não descortinamos benefícios para a humanidade, mas apenas escândalos, mentiras e mais escândalos.
Ele foi um louco, certamente, e loucos foram os meios de comunicação social que o ajudaram a chegar onde chegou e os milionários que pagaram exorbitantemente algumas peças que ele desenhou.
Quanto às relações interpessoais de Lagerfeld, elas espelham a solidão da infância que permaneceu ao longo da vida.
Lagerfeld chegou a manifestar o desejo de casar com a sua gata de estimação, se a lei autorizasse essa ligação. Entendemos então que a sua loucura derivou, ao menos em parte da solidão a que se votou ou que foi votado, que o traumatizou na infância ainda e da qual não foi nunca capaz de se libertar, necessitando de escandalizar para chamar as atenções. E as gentes burras acabaram dando-lhe atenção e enchendo-o de dinheiro, dinheiro que vai fazer as delícias da gata que lhe sobreviveu.
Deus tenha misericórdia da sua alma.

Orlando de Carvalho

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Roubar idosas e crianças à sombra da idoneidade


Foi pela década de 1980 que a avó ofereceu aos netos um mealheiro que era um cofre. Fez um depósito no Montepio a favor de cada um dos netos e recebeu o tal mealheiro com a devida ranhura para se colocar dinheiro. O cofre só podia ser abeto nas instalações do Montepio e o dinheiro que lá existisse era retirado e colocado na respectiva conta bancária.
Passaram alguns anos, não muitos. Os pais foram com as crianças ao Montepio para saber quanto tinha sido depositado pela avó e abrir os mealheiros para fazer a sua transferência para a conta.
O Montepio tinha cancelado esse sistema de poupança e tinha roubado o dinheiro das contas crianças que tinha sido depositado pela avó. Fizeram o favor de abrir os mealheiros e a família voltou para casa com os mealheiros, bons para irem para o lixo, com o dinheiro que neles tinha sido amealhado e com a notícia triste para a avó de que o Montepio tinha defraudado a confiança dela e roubado o dinheiro das crianças. Em boa verdade, os pais das crianças não quiseram dar essa tristeza à avó, já tão cansada de roubos e injustiças, e nunca lhe contaram a verdade.
Até que ao passar diante de uma loja do Montepio vimos o anúncio de que os mealheiros estão de volta.
Adivinhamos mais um roubo bancário e de banqueiros. Desta vez já plenamente anunciado porque é reincidência. Eles vão vivendo com os golpes de baú e contos do vigário, provavelmente convencidos que serão capazes de levar, no caixão, aquilo roubaram, especialmente a idosas e crianças.

Orlando de Carvalho

domingo, 27 de janeiro de 2019

Que justiça para terroristas e loucos?

Utoya, Noruega,as flores assinalam o massacre de Breeyvik

A pena de morte tem sido extinta progressivamente, com realce para os países de cultura dita ocidental ou de génese cristã.
Portugal foi o percursor da abolição da pena de morte sucessivamente para os diversos casos, crimes políticos, crimes civis, crime militar de traição, até à sua abolição total.
Mais tarde, também o tempo de prisão foi equacionado e em Portugal, como noutros países, do grupo acima referido, estabeleceram tempos máximos, com exclusão absoluta da pena de prisão perpétua.

A pena de morte não pode deixar de ser considerada pecado para todos os que aceitam a Bíblia como livro da Lei Divina. E pecadores, neste caso, serão os legisladores, os juízes que sentenciam e os carrascos que executam, todos eles abrangidos pelo delito de “matar”.

Para aqueles que como eu rejeitam a pena de morte colocam-se alguns, ou muitos, pontos de interrogação.
Os crimes contra a humanidade cometidos pelos nazis, pelos napoleónicos, pelos dirigentes dos diversos regimes comunistas, com relevância para os asiáticos e soviéticos?
Os loucos que cometem assassínios em série (porque só um louco se entretém) a matar em série?
Os terroristas modernos cujo objectivo é matar, mesmo morrendo, matar inocentes apenas para chamar a atenção para as suas causas?
Todos estes casos, e outros enquadráveis no mesmo ideal, podem ser resolvidos sem recurso, pelo menos, à pena de prisão perpétua?

A ansiedade de criar um (pseudo)-Paraíso na Terra tem levado diversos governos a legislarem situações que me parece que são contrárias ao bem-estar e felicidade dos seus cidadãos.

Tomemos o caso de Anders Breivik, o norueguês que em 22 de Julho de 2011 disparou dentro de um acampamento de jovens com o intuito de matar o maior número possível deles. Foram 77 que morreram. Reagiu à condenação a 21 anos de prisão sorrindo e fazendo a saudação nazi enquanto pedia desculpa aos nazis por não ter conseguido matar mais pessoas. Neste caso, o tribunal determinou que a sua sentença podia ser prorrogada, mas também pode ser liberto em 1932, eventualmente antes por bom comportamento se apanhar algum juiz suficientemente obtuso. Entretanto, embora não tenha sido atendido, tem reclamado condições “humanas” para o seu encarceramento, como vídeo jogos, computadores, liberdade de movimentos e até fez greve de fome.

Existe a possibilidade de este homem vir a ser liberto e voltar a realizar outro massacre.

Infelizmente, enquanto em muitos países, pessoas honestas e sem terem praticado crime algum são condenadas à morte, como os vários casos de pessoas que são cristãs em determinados países em que os legisladores têm a arrogância de proibir a prática de alguma religião, noutros, os tais europeus, existem organizações que se especializam em defender terroristas e assassinos a coberto de uma pretensa defesa dos direitos humanos.
Convém pensar nestas coisas pois já existem demasiados casos de pessoas que são libertas pelos juízes para repetir os crimes cometidos, muitas vezes de violação e abusos sexuais, mesmo sobre crianças, incendiários, tanto pirómanos, como para obtenção de compensações económicas.

A primeira lei a proibir a pena de morte foram os Dez Mandamentos, e o primeiro estado moderno a proibi-la foi Portugal. Hoje muitos querem ir mais além, mas nem sempre os seus objectivos são tão puros foram os primitivos bíblicos e portugueses.

Orlando de Carvalho